tulipas para minha mãe.
Certo dia, numa loja de flores, minha mãe reclamou gentilmente pela ausência de tulipas.
Falou que há muito não as via, como quem fala de algum manufaturado plástico produzido em larga escala. Eu até entendo. Tulipas foram muito intensamente produzidas, vendidas em vasinhos esguios como as tais.
Ela percorreu seus dedos sobre as prateleiras de vidroempoeirado. Observava todas aquelas coisas inúteis, apreçou portarretratos. Perguntou-me sobre medidas, fotografias, detalhes sobre meu gosto.
E Sob o sol que só existia naquela cidade, andamos muitos metros. Eu me distraí com a estranheza dos novos detalhes. E com a mesmice dos antigos. Minha mãe seguia pensando em tulipas.Certo dia, numa loja de flores, minha mãe reclamou gentilmente pela ausência de tulipas.
Falou que há muito não as via, como quem fala de algum manufaturado plástico produzido em larga escala. Eu até entendo. Tulipas foram muito intensamente produzidas, vendidas em vasinhos esguios como as tais.
Ela percorreu seus dedos sobre as prateleiras de vidroempoeirado. Observava todas aquelas coisas inúteis, apreçou portarretratos. Perguntou-me sobre medidas, fotografias, detalhes sobre meu gosto.
Estas flores magras me lembravam a infância. Nãoseiporquê.
Talvez porque também fui sempre magro. Talvez por também não sair dos pensamentos de minha mãe.
Queria encontrar estas flores retilíneas do passado. Presenteá-las com um presente de cores menos saturadas. Demovê-las dos dias anteriores. Dá-las à minha mãe.
Taí. Jamais a daria rosas, orquídeas ou rosas-graxa. Tulipas são perfeitas. Talvez porque também fui sempre magro. Talvez por também não sair dos pensamentos de minha mãe.
Queria encontrar estas flores retilíneas do passado. Presenteá-las com um presente de cores menos saturadas. Demovê-las dos dias anteriores. Dá-las à minha mãe.
Entretanto, esta cidade é um deserto infértil. Assim mesmo: redundante.
Podaram suas árvores, apagaram raízes e galhos. Coitados. De mim.
Só resta isso aqui.
Um dia irei ao Canadá. Procurarei pelas flores amigas que não vou encontrar.
Enquanto meu corpo jaz aqui em pasmaceira, vou delirando poder um dia dar tulipas para minha mãe. Podaram suas árvores, apagaram raízes e galhos. Coitados. De mim.
Só resta isso aqui.
Um dia irei ao Canadá. Procurarei pelas flores amigas que não vou encontrar.

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