#04
O mundo se tornou de matéria líquida quando dei por mim que havia algo se movendo lentamente ali.
Antes, tudo era frenético e turbulento, mas ele começou a parecer mais calmo. Minhas cartas já não o comoviam. Tudo foi se tornando turvo.
Ele diz que não que tudo está no mesmo lugar e que deve ser porque estou bem no olho de um turbilhão de paixão já conhecida à qual estamos há muito tempo afeiçoados.
E foi por isso que ontem à noite dei os joelhos ao chão e pedi desesperadamente para que ele estivesse certo como nas outras vezes.
Mas é que ele me fornece uma certeza castanho-claro de que tudo é bem do jeito que percebo. Que, por mais que deseje e tente forjar uma verdade qualquer, outra mais clara e segura insiste em se materializar à minha frente.
Não sei como proceder, como analisar... como tentar objetivar cada indício secreto que percebo tão certamente de que há algo de novo e indesejado entre nossas esferas imaginárias.
- Atende, por favor!
Já faz tanto tempo que estou aqui em frente ao seu portão esperando pra te ver sair displicentemente, sem saber nem sentir minha presença morna e ansiosa...
Não sei. Mas sinto que devo continuar aqui. Feito raiz. Sem mover um segundo sequer. Você não chega. Não sai. Eu não saio daqui. Você não aparece com uma caneca de café com leite na varanda. Eu conto até chegar ao seu andar. Sua janela. Aberta. Vazia. Há alguém ali? Vários carros, metais, pessoas, concreto. Entre nós. Eu aqui. Algumas luzes. Letreiros. Mensagens parecem ter sido pensadas para mim. Falhos conselhos que não penso em seguir. Meu rumo é voce. Você sabe. Sempre soube.
É melhor voltar pra casa. E vou tentando acreditar numa surpresa boa, algo assim... você no meu sofá. E eu triste e feliz por ter parecido tão tolo. Você esperando por mim.
[continua...]
domingo, agosto 30, 2009
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