cilada.
Investi cada centavo de vida naquele amor.
Troquei afazeres importantes por pensamentos que afagavam cada detalhe das lembranças impregnadas de tudo que era ele.
Respirava cada punhado de ar como se estivesse prestes a morrer mas precisasse dizer tudo o que sente num único fôlego.
E foi assim.
Bem como imaginava ser. Como me disseram as tantas cartomantes que consultei. Elas nunca sabiam muito, mas sempre tinham a certeza de que eu seria surpreendido por um homem inimaginável. Ele havia chegado sem avisos.
Recusei propostas indecorosas de casamentos infalíveis que me prometiam vidas impensáveis. Oásis de felizes farturas. Bosques imaginários contendo frutos e bichos que só existiam no ponto secreto do meu coração desejoso de felicidade simples.
Ele me abriu o sorriso sugerindo que eu lhe adentrasse.
Fez odes recorrentes que me incitaram aquela coisa do 'para sempre'. Meus amigos se dissiparam de inveja. Poucos restaram.
Os que foram, desejavam mesmo ter esse moço de vidro pra si. Os que ficaram, temiam ver meus olhos frágeis se partirem.
Eles agora são duros comigo. Relembram os avisos que me fizeram. Recorrem a detalhes perdidos no tempo e que eu gostaria de não lembrar.
Ele parecia haver chegado, mas não me preparou para essa cilada.
segunda-feira, janeiro 24, 2011
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