quarta-feira, setembro 07, 2011

solúvel.

Daniel, até ontem, parecia-me uma lembrança ultrapassada, obsoleta em minha mente, adormecida em meu coração torpe.
Seus nome e número já não constavam em minha agenda telefônica e minha redenção havia sido adiada.
Era fato que um coração tolo teimava em desenvolver estratégias para forjar um esquecimento para trazê-lo à superfície voluntariamente a qualquer momento inoportuno.
Ele, a quem eu havia avistado do outro lado da pista, entre tantos corpos foscos, cintilava ainda aqui dentro sem que eu percebesse. Estava ali, ao alcance de qualquer esforço inesperado.
Eu, com toda a estupidez que sempre me coube, pareço não me dispor a dissipar uma memória tão inútil. É preciso dissolvê-la. Mas quando um vazio tão insaciável nos habita o peito, mais fácil é se afogar nos escombros de um amor que desaba antes mesmo de ser erguido. E em meio a tanta poeira cinza, caminho torcendo meus tornozelos por um terreno incerto e eu estou sozinho. Why don't you love, baby?

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